Este trabalho académico é realizado no âmbito da disciplina Aplicações Informáticas (AI) leccionada na Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão (ESEIG) pelo Eng.º Lino Oliveira.
Como estudantes do curso de Ciências e Tecnologias da Documentação e Informação (CTDI), é para nós importante consolidar algumas matérias. Foi-nos então solicitada a realização de um trabalho académico, onde fosse discutido a gestão de conteúdos com aplicações baseadas na Web.
Ao longo deste relatório, apresentaremos o tema escolhido para a dinamização da ferramenta Web 2.0 escolhida, a escolha das ferramentas, assim como a investigação efectuada.
Neste projecto iremos proceder à pesquisa, selecção e avaliação da informação com a finalidade de expor a realidade das instituições propostas. Neste caso, o tema escolhido foram os Arquivos Municipais e Distritais, dados na disciplina de Formação Avançada em Arquivo.
Pretendemos mostrar a importância das ferramentas Web 2.0 na disseminação da informação, passando esta de um estado estático para um estado dinâmico, a qual pode ser acedida em qualquer parte do globo terrestre.



Ao longo da pesquisa sobre os Arquivos Distritais e Municipais (especialmente os Distritos de Évora, Leiria, Guarda e Angra do Heroísmo), deparámo-nos com muita falta de informação ou simplesmente com pouca informação e bastante dispersa. Deste modo, o nosso blogue pretende dar a conhecer aos interessados, a realidade arquivística do nosso país, que é ainda bastante deficiente. De certa forma, procuramos também prolongar a pesquisa que foi iniciada, para melhor consolidar o conhecimento obtido.


Para a divulgação do tema escolhido, o nosso grupo decidiu criar um blogue na plataforma Blogue do sapo (http://blogs.sapo.pt/). Esta plataforma é bastante conhecida em Portugal e com evidente notoriedade entre a comunidade de bloggers portuguesa.
De entre as inúmeras funcionalidades desta ferramenta, consideramos como as mais significativas:
  • logout imediato no momento em que se fecha a aplicação;
  • Possibilidade de aceder a vários blogues com apenas um login
  • Novos temas (templates/máscaras);
  • Formatação dos posts (emoticons, listas numeradas, links, etc.);
  • Incorporação de widgets
  • Aplicações multimédia (mp3, imagens, vídeos);
  • Manuseamento simples;
  • Chat;
  • Posts por mail;
  • Notificações
Ao longo dos semestres anteriores, tivemos a oportunidade de criar blogues no Wordpress e no Blogger. Deste modo, consideramos importante ampliar a nossa visão crítica e conhecer outras ferramentas Web 2.0. Não escolhemos a utilização das redes sociais por considerarmos que o blogue é a aplicação mais eficaz na divulgação de conteúdos programáticos, assim como permite maior facilidade no seu desenvolvimento.


Um blogue precisa ser trabalhado e constantemente actualizado para levantar curiosidade. No nosso blogue tentámos incorporar widgets, imagens, vídeos e links para enriquecer o conteúdo informacional.
Na funcionalidade Incorporação de Widgets, colocámos um widget de estatísticas, o qual permite saber as visitas que o blogue teve e a localização de quem acedeu ao blogue, entre outras.
Como exemplo de Aplicações Multimédia colocámos um vídeo e imagens no blogue, os quais pretendem dinamizar ainda mais a informação.
Pesquisámos sites de arquivos e colocámos links no blogue para quem quiser obter mais informações.


Para nos mantermos actualizadas acerca do tema desenvolvido pelo grupo, subscrevemos os RSS (feeds) de sites que consideramos importantes e consideravelmente fiáveis para a credibilidade da investigação, nomeadamente o IAN/TT e a DGARQ e consultamos os questionários feitos no âmbito do trabalho sobre arquivos distritais e municipais realizados na disciplina de Formação Avançada em Biblioteca. Estes questionários continuam a ser-nos enviados, possibilitando o acesso a informação fidedigna vinda das próprias instituições.
Num futuro próximo, independentemente da actividade que iremos desempenhar profissionalmente, é imprescindível mantermo-nos informadas acerca do estado da arte dos arquivos em Portugal, assim como das ferramentas mais utilizadas pelos cibernautas.
O estado de um arquivo afecta mais a vida da comunidade do que cada um pensa, na medida em que um arquivo municipal e distrital tem a função de conservação documentos que poderão, futuramente servir de prova ou de investigação para descoberta de raízes. O facto de um arquivo se manter desorganizado leva à perda de informação, facto grave este, visto que vivemos numa sociedade de informação que depende desta para desenvolvimento económico, político, social e cultural.


Grande parte dos arquivos distritais encontra-se dependente da DGARQ - Direcção Geral de Arquivos. É o organismo coordenador do sistema nacional de arquivos independentemente da sua forma, suporte ou registo. Gere uma rede de arquivos dependentes disseminados pelo território nacional que custodiam um universo diversificado de património arquivístico. Integram esta rede: dois arquivos de âmbito nacional e dezasseis de âmbito regional. [1]
A função mais importante dos Arquivos Distritais é preservar o património arquivístico e histórico. Desempenham também um papel fundamental para a protecção dos direitos dos cidadãos.
Um arquivo distrital é um arquivo que desenvolve competências e estratégias de intervenção na preservação de vários documentos do distrito a que pertencem. Ou seja, de acordo com Decreto-Lei nº 149/83 de 5 de Abril, os arquivos distritais têm funções como preservar e valorizar o património arquivístico, desenvolver actividades de apoio técnico, classificar e descrever os arquivos dos organismos públicos e privados, promover eventos sociais, entre outras funções que dependem de arquivo para arquivo.
São armazenados arquivos de famílias, pessoas, empresas, que por terem certa importância cultural, têm o direito de serem conservados definitivamente no arquivo distrital. Estes arquivos podem chegar ao arquivo distrital por meio de doação ou de depósito.
Nestes arquivos é obrigatório o armazenamento de arquivos das conservatórias do Registo Civil com mais de 100 anos, Cartórios Notariais com mais de 30 anos, arquivos dos tribunais com mais de 35 anos (a contar desde a data de encerramento do processo), arquivos dos organismos da administração central, entre outros.
Para além desta documentação, os arquivos têm a escolha de incorporar ou não, fundos provenientes de instituições públicas ou privadas, activas ou inactivas, de pessoas singulares ou famílias, dos Governos Civis, das Repartições de Finanças, das Alfândegas, produzidos pelos antigos conventos e órgãos de administração das dioceses, entre outros.
Os arquivos distritais de Portugal Continental são os seguintes: Arquivo Distrital de Aveiro; Arquivo Distrital de Beja; Arquivo Distrital de Bragança; Arquivo Distrital de Castelo Branco; Arquivo Distrital de Évora; Arquivo Distrital de Faro; Arquivo Distrital de Guarda; Arquivo Distrital de Leiria; Arquivo Distrital de Lisboa; Arquivo Distrital de Portalegre; Arquivo Distrital de Porto; Arquivo Distrital de Santarém; Arquivo Distrital de Setúbal; Arquivo Distrital de Viana do Castelo; Arquivo Distrital de Vila Real; Arquivo Distrital de Viseu[2].


[3]
Em 1976 as autarquias locais passaram a ser independentes do Estado. Em consequência deste facto surgem 3 níveis de autarquias locais: freguesias, municípios e outras regiões administrativas. É aqui que os arquivos municipais ganham vida. Ou seja, surge a necessidade por parte das câmaras de armazenar a informação criada no âmbito do desempenho das suas funções. Assim os arquivos municipais começam a ganhar relevo como unidades administrativas e culturais.
Com a evolução da sociedade da informação, ou seja, com a crescente importância da informação, estes arquivos foram abrindo as portas ao público e nos dias de hoje já grande parte deles possui uma página online que permite fazer pesquisa dos documentos incorporados no arquivo. Tudo isto graças à evolução das tecnologias que passaram a permitir a digitalização e deste modo os documentos passam a poder ser consultados na sua integridade mas com total preservação do original que fica devidamente armazenado no depósito.
Quanto aos instrumentos de acesso nos arquivos municipais, podemos concluir, com o estudo de arquivos municipais reais que são utilizados guias, listas, catálogos (online ou impressos), inventários, registos, livros de averbamentos, diários e fichas.


Nos dias de hoje a informação é uma mais valia a todos os níveis da sociedade, tanto a nível administrativo (na tomada de decisão), a nível político, social, económico (vantagem a competitividade do mercado), como a tantos outros níveis.
Mas esta informação só é válida se for fiável e rápida. Ou seja, de nada adianta ter informação se ela não estiver disponível quando se necessita dela. Neste âmbito é cada vez mais importante que os arquivos estejam organizados e sejam rápidos na busca de informação. Para isso necessitam estar sempre a par das tecnologias, pois estas sustentam os sistemas de gestão e pesquisa de informação.
É necessário criar instrumentos de acesso cada vez mais rápidos para poder suportar a tomada de decisão na vertente administrativa. Também é importante na medida em que tempo é igual a dinheiro. Se os sistemas que se usam não permitirem um acesso rápido à informação é dinheiro que se perde. Ou seja, se a empresa A pesquisa um determinado documento em 20 minutos vai dar tempo ao arquivista para adiantar outros trabalhos. Se a empresa B ainda possui técnicas de pesquisa tradicionais e demorar 2 dias a encontrar um documento, rapidamente a empresa A vai esmagar a empresa B no mercado.
Queremos com isto dizer que as tecnologias estão, na actualidade de braço dado com a informação e que os arquivos portugueses ainda não funcionam assim e continuam com os métodos tradicionais que só fazem o País atrasar mais em todos os aspectos. É necessário perceber que o ciclo de vida dos documentos é a “alma” do funcionamento burocrático do país.
O facto é que no âmbito da nossa pesquisa podemos afirmar que os arquivos municipais portugueses estão muito atrasados e não estão a acompanhar a sociedade de informação. Não aderem aos planos que a DGARQ tenta implementar para mudar esta realidade, como por exemplo o PARAM que é um programa lançado pela Torre do Tombo em 1998 que visa estabelecer o regime de celebração de contratos. Tem uma natureza sectorial e plurisectorial no âmbito da cooperação técnica e financeira entre a administração central e os municípios. Tem com objectivos: a qualificação dos arquivos enquanto recursos da actividade administrativa e a salvaguarda e promoção do acesso ao património arquivístico. [4]
Com isto podemos afirmar que, tanto se encontram arquivos como o de Vila do Conde, que estão sempre a par dos avanços tecnológicos e das necessidades informacionais da Câmara Municipal e dos utilizadores, como encontramos também muitos arquivos como o de Aguiar da Beira (Distrito da Guarda) que possui apenas um técnico, nem sequer usa as normas ISAD(G), não possui uma regulamentação, não aderiu ao PARAM, não possui um plano de classificação e nem possui um software de gestão documental. É com este tipo de arquivos que Portugal não evolui. E é esta a realidade em quase todo o país. O sector da informação está a ser desvalorizado, quando devia levar um dos maiores investimentos por constituir uma mais valia na evolução.


Sobre os inquéritos que enviamos aos arquivos municipais e distritais, de grande parte não obtivemos qualquer informação/resposta. Mas dos que recebemos, percebemos infelizmente a realidade em que se encontram em termos de conservação dos documentos, evolução dos instrumentos de acesso, gestão documental e organização dos arquivos.


Após a realização deste trabalho, compreendemos melhor a gestão da informação / conteúdos em aplicações baseadas na Web.
Com a dinamização do nosso blogue (http://ai0910-g5a.blogs.sapo.pt/) pudemos concentrar a informação sobre alguns arquivos, que normalmente se encontra muito dispersa. Assim, pretendemos auxiliar a pesquisa de outros utilizadores da Web e dar a conhecer a realidade arquivística em Portugal.
Poderíamos ter utilizado qualquer ferramenta disponível na Web, no entanto, consideramos que o blogue é uma ferramenta de disponibilização rápida e eficaz da informação. Consideramos também que ao longo da nossa vida profissional futura é imprescindível experimentar novas ferramentas Web e não nos limitarmos apenas às que conhecemos. Deste modo, optamos pela escolha de um blogue no qual ainda não tínhamos tido a oportunidade de trabalhar na dinamização de um tema.



ARQUIVOS DISTRITAIS. In Wikipedia. [Em Linha]. [Consult. 12 de Novembro de 2009]. Disponível na www: <URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Arquivo_distrital>
BLOGGER. [Em linha]. [Consult. 8 de Novembro de 2009]. Disponível na www: <URL: https://www.blogger.com/start>
DIRECÇÃO GERAL DE ARQUIVOS. In Direcção Geral de Arquivos. [Em Linha]. [Consult. 5 de Novembro de 2009]. Disponível na www:<URL: http://dgarq.gov.pt/>
LEGISLAÇÃO DOS ARQUIVOS MUNICIPAIS. [Em Linha]. [Consult. 12 de Novembro de 2009]. Disponível na www: <URL: http://djlp4ai.wordpress.com/category/arquivos/>
PROGRAMAS DE PROJECTOS. In Direcção-Geral de Arquivos. [Em Linha]. [Consult. 5 de Novembro de 2009]. Disponível na www: <URL: http://dgarq.gov.pt/programas-e-projectos/param/>
SAPO BLOGS. [Em linha]. [Consult. 8 de Novembro de 2009]. Disponível na www: <URL: http://blogs.blogs.sapo.pt/123807.html>
WORDPRESS. [Em linha]. [Consult. 8 de Novembro de 2009]. Disponível na www: <URL: http://pt.forums.wordpress.org/>


[1] DIRECÇÃO GERAL DE ARQUIVOS. In Direcção Geral de Arquivos. [Em Linha]. [Consult. 5 de Novembro de 2009]. Disponível na www:<URL: http://dgarq.gov.pt/>
[2] ARQUIVOS DISTRITAIS. In Wikipedia. [Em Linha]. [Consult. 12 de Novembro de 2009]. Disponível na www: <URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Arquivo_distrital>
[3] LEGISLAÇÃO DOS ARQUIVOS MUNICIPAIS. [Em Linha]. [Consult. 12 de Novembro de 2009]. Disponível na www: <URL: http://djlp4ai.wordpress.com/category/arquivos/>
[4] PROGRAMAS DE PROJECTOS. In Direcção-Geral de Arquivos. [Em Linha]. [Consult. 5 de Novembro de 2009]. Disponível na www: <URL: http://dgarq.gov.pt/programas-e-projectos/param/>